Camilianos ajudam os atingidos pelo desastre na Taillândia 1

Caros Irmãos e Irmãs,

Um terrível desastre se abateu sobre o sudeste da Ásia em 26 de dezembro. A Tailândia foi um dos 12 países afetados. Nas seis províncias que compõem o sul da Tailândia, pelo menos 5.291 pessoas morreram das quais muitas eram tailandesas e estrangeiras, entre adultos e crianças. Cerca de 3.716 pessoas ainda estão desaparecidas: acreditamos que seus corpos jazem no fundo do mar. E pelo menos mais 8.457 pessoas estão feridas. Estamos em estado de choque diante desse terrível desastre.

Depois de dois ou três dias procurando informações sobre a tragédia e recebendo pouquíssimo retorno (devido a falta de organização por parte do governo e da Igreja), nós Camilianos decidimos partir para a área do desastre em uma caravana de 7 veículos, com a ajuda tanto do Hospital Camiliano (Camillian Hospital) e do Hospital São Camilo (San Camillo Hospital) de Bancoc. Quarenta e cinco pessoas foram para lá (4 médicos, 1 dentista, 15 enfermeiras, motoristas, grupo de entretenimento, Bro Amicale Rebellato (primeiro voluntário), Fr. Rocco Pairat Sriprasert, Fr. Ackrapan Nanthavanit, Fr. Pongsiri Sangvalpet, 2 Camilianos professos temporários e eu, Fr. Paul Cherdchai.  Todos os que foram para o local eram voluntários. Carregamos nossas ambulâncias e vans com medicamentos, equipamentos médicos, água, tendas e alguns outros itens necessários, etc. Decidimos ir para a província de Phangnga, a mais devastada pelas ondas da maré sísmica. Acampamos a nossa equipe móvel em Ban Bang Moung, no distrito de Ta Kao Pa, a mais de 800 quilômetros de Bancoc. Levamos a noite toda (mais ou menos 12 horas dirigindo) para chegar lá apesar das estradas estarem em bom estado. Havia muito tráfego, principalmente de grandes caminhões.  Saímos do San Camillo Hospital às 17 horas do dia 4 de janeiro de 2005 e chegamos às 5 da manhã do dia seguinte.

Quando chegamos na prefeitura do distrito de Ta Kao Pa, descansamos um pouco e rumamos  para o campo de Bang Moung. Lá, encontramos cerca de 2000 pessoas (500 famílias) abrigadas em tendas. Já haviam recebido muitas doações: alimentos, água, roupas, equipamentos para cozinha,etc. Vimos que suas necessidades de saúde também estavam sendo bem atendidas, de modo que decidimos ir para outro local onde fosse necessário receber assistência. Partimos então para uma área mais rural da vila de Bang Sak onde 300 pessoas haviam sido desalojadas devido ao tsunami.  Nesse local começamos a prestar auxílio médico à população, muitas delas crianças e velhos. Armamos nossas tendas junto à população e ali ficamos por 3 dias.

Quase todas as famílias da vila de Bang Sak perderam um ou dois de seus membros durante o desastre. Ouvimos suas histórias de tristeza repetidas vezes, uma família depois da outra. Sentiam-se rejeitados, um povo nativo sem muito nível de educação: fomos os primeiros a chegar lá depois de acontecido o desastre. Os Camilianos forneceram cuidados médicos às crianças e idosos e àqueles muito feridos e hospitalizados. Visitamos também outras pessoas em outros campos para oferecer-lhes apoio psicológico e espiritual. Organizamos jogos para as crianças para aliviar-lhes a tristeza e o sofrimento. Depois que começamos nosso trabalho com a população de Bang Sak, membros da igreja local começaram a chegar e a juntar-se a nós nesse trabalho. Eles não tinham tido condições de organizar sozinhos um grupo de ajuda. Perguntamos a eles sobre que mais assistência eles e as populações dos arredores poderiam estar precisando.

Muitas pessoas ainda estão traumatizadas pelo tsunami, mas neste momento parecem dispor de alimentos, medicamentos, água e roupas em quantidade suficiente.  Tem havido muitas doações. As populações precisarão certamente retornar aos seus lares, onde então precisarão de habitações, instrumentos de pesca, barcos, redes, etc. Em outras palavras, elas precisarão reconstruir suas famílias.

Depois de 3 dias com essas populações e fazendo o que nos foi possível, nós, Camilianos concordamos entre nós que se a Conferência de Bispos da Tailândia nos pedisse para cuidarmos desta vila ou de qualquer outra, estaríamos prontos para oferecer nossa colaboração, para vivenciar o carisma Camiliano (a Conferência dos Bispos me chamou para uma reunião em 10 de janeiro). Constatamos que há muitas organizações que vieram para ajudar e devem partir em breve. Nós, Camilianos, agiremos entretanto de maneira diferente, cuidando dessas populações até que suas vidas atinjam um certo nível próximo da normalidade.  Pretendemos estabelecer uma clínica móvel com equipamento médico necessário, medicamentos e uma equipe para auxílio psicológico e espiritual.  Isto irá ajudá-los até que possam mudar-se para uma habitação temporária que será construída pelo governo.

Essa é a forma como estamos tentando corresponder como Camilianos ao desastre na Tailândia.  Agradecemos a todos vocês que nos escreveram demonstrando sua preocupação em meio a esta situação trágica. Por favor, rezem pelas vítimas do desastre no sudeste da Ásia.

Fraternalmente,

Fr. Paul Cherdchai Lertjitlekha
Vice Provincial da Tailândia

Camilianos ajudam os atingidos pelo desastre na Taillândia  1

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